Nenhum
outro animal compartilhou tanto com o homem quanto o nosso cão
doméstico. Na verdade, nos últimos doze mil anos
essa espécie trocou a sua liberdade por uma relação
incerta com a espécie humana.
A amizade
entre o homem e o cão alcançou o ápice de
nossa experiência. O animal foi um silencioso e nunca festejado
companheiro no início da era do Homo Sapiens. Mais tarde,
rotulado como um objeto desprezado de superstição,
foi chamado de "lobisomem", ou coisa pior, mesmo tendo desempenhado
ações relevantes, como parceiro e companheiro amado.
Mesmo
desprezados, explorados ou acariciados, os cães continuaram
nossos mais leais companheiros.Eles caçam, divertem, fazem
companhia, vão à guerra e têm sido ao mesmo
tempo usados e recompensados por algum e raro ser humano.
Mas
por que os seres humanos gostam de cães?
Quando pequenos são
engraçadinhos? Quando
adultos nos dão segurança ? Os
com pedigree são símbolos de status?
Porém, ultimamente,
amamos os cães porque eles simplesmente nos amam.
Nossa
amizade com os cães é uma relação
simbiótica, que desafia a explicação racional.
Esse animal talvez seja uma criatura selvagem a ser domesticada
e acariciada, um espelho que reflete nossas principais emoções,
um participante dos nossos lamentos, um ser que contribui para
nossa felicidade ou um portador de paz.
Não
sabemos por quê os cães nos amam, seja o seu "dono"
rico ou aquele que dorme a céu aberto tendo como seu anjo
da guarda ao seu lado, o cão. Parece que esse desconhecimento
nunca vai ser revelado ao ser racional. Para
isso teríamos que ser altruístas o tempo todo.
Impossível. A nós, pensadores e tão cheios
de explicações lógicas, o que resta
é admirar esse desconhecido e respeitoso mundo animal.
Este
texto é dedicado àqueles que amam os animais e,
por conseguinte, à própria vida. Dentro
de um cão existe uma escuridão pra se ler...