Cuidado para não embarcar na onda dos "102 Dálmatas"

Matéria publicada na revista do jornal Folha de São Paulo em
10/12/00
por Kiyomori Mori

De novo?

Não se assuste se o seu filho começar a brincar de Cruela e Albina: ele, provavelmente, embarcou na onda dos "102 Dálmatas", que estreou na semana passada. O problema pode surgir se ele se entusiasmar demais com as carinhas doces dos filhotes que aparecem no filme e pedir um exemplar da raça.

Nada contra o interesse infantil; o problema é o modismo. As organizações de defesa dos animais já sabem que, toda vez que um bicho vira "moda", tem início um processo que começa com milhares de animais comprados por impulso e acaba com boa parte deles abandonados.

Em 1997, após o lançamento da primeira edição da saga dos cachorrinhos malhados, cerca de 10 mil cães da raça foram abandonados nos EUA, segundo a ONG Humane Society of the United States, que conta com cerca de 8 milhões de afiliados. Destes, 50% tiveram de ser sacrificados.

Este ano, com o lançamento do segundo filme, a ONG se preparou para evitar um novo boom de abandono. "Naquela época, muitos compraram por impulso e depois abandonaram o bicho nas ruas. No filme, são todos tão bonitinhos, mas seis meses depois as pessoas percebem que o filhotinho cresceu e dá trabalho.Não queremos que isso se repita", afirma Stephanie Shain, diretora da entidade.

A ONG lançou a campanha "Dálmatas: Mais do que Somente Manchas", que inclui site na Internet, distribuição de panfletos nas portas de cinemas e produção de vídeos explicativos que mostram o que é realmente ser dono de um dálmata.O objetivo principal da campanha é a posse responsável de animais de estimação.

"As pessoas devem aprender que bichos não são simples mercadorias, eles precisam de atenção e vivem por vários anos."

No Brasil, só a ONG Companhia dos Animais já se movimentou e fez um acordo com os cinemas da região de Petrópolis (RJ) para distribuir, na entrada das sessões do filme, 10 mil panfletos traduzidos da campanha dos EUA. A organização pode oferecer cópia dos folhetos aos interessados em divulgar o assunto.

É uma boa notícia, já que o modismo não é exclusivo dos norte-americanos. "Aqui é a mesma coisa. Teve o boom do dachshund, com o comercial dos amortecedores Cofap, e, recentemente, o do westie highland terrier, com o portal de Internet IG. Muita gente aproveita essa demanda para "fabricar' filhotes, fazendo até cruzamento consanguíneo e piorando a qualidade genética da prole", afirma Agnes Buchwald, presidente do Kenel Clube Paulista.

Com os cruzamentos descuidados, o índice de surdez entre cães da raça, que já é normalmente alto entre os dálmatas (cerca de 12%), aumenta para 20%. A dica do Kenel é clara: diga não ao seu filho e não compre animais por impulso.

A cara do dono
Afetuosos, os dálmatas são uma excelente companhia para quem está sozinho,mas não estão entre as raças consideradas mais fáceis. São hiperativos, pouco recomendados para quem vive em apartamento ou não dispõe de muito tempo para prestar os cuidados devidos.

Mesmo com pelagem curta, o animal precisa de escovação diária, para reduzir o volume de pêlos perdidos pela casa, trágicos no caso de pessoas alérgicas. Sua alimentação também deve ser diferenciada: devido à excreção excessiva de ácido úrico, deve-se evitar comida rica em proteínas, como a carne. É preciso também tomar cuidado com o excesso de ração.

Em compensação, conviver com um deles é uma ótima forma de fazer crianças agitadas gastarem a energia acumulada -eles adoram brincar, principalmente na água.

Mas não espere muita esperteza. No ranking de inteligência de cães, elaborado pelo psicólogo Stanley Coren, da universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), os dálmatas ocupam o 39º lugar (entre 79 raças). Ou seja: se a sua idéia for um cão para ser treinado, melhor escolher outro tipo.

serviço
Companhia dos Animais: tel: 0/xx/24/221-4329
Site Americano Save the Dalmatians

http://www.savethedals.org/

 

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